Saiba como foi – Bruno Branco lança seu novo disco na Igreja Batista da Lagoinha – Prato & Sino



Nobre simplicidade de Bruno Branco

Por Márcio Moreira – Som Livre

Quando acordei naquela manhã de terça-feira e notei a espessura da neblina do lado de fora da janela, que cobria o Cristo Redentor por completo no cume do morro pensei, imediatamente, que meu voo para Belo Horizonte seria cancelado.

Mesmo assim, peguei o táxi e segui rumo ao aeroporto Santos Dumont animado com a expectativa do que seria aquela missão, que me foi passada com duas semanas de antecedência: Acompanhar, pela Som Livre, o lançamento do CD Prato & Sino, do cantor Bruno Branco, em uma das igrejas de maior importância da capital mineira, a Batista da Lagoinha. Espaço gentilmente cedido, pelo também cantor da gravadora, André Valadão, que não poderia realizar, naquela noite, seu já tradicional culto Fé, em função de uma viagem para os Estados Unidos.

Já na fila para o check in, após incontáveis tentativas frustradas de fazê-lo no totem digital da companhia aérea, percebi o "Deus nos acuda" que as centenas de passageiros também enfrentava em uma maratona pitoresca multilíngue para conseguir encontrar os novos horários de seus voos, atrasados cerca de 2 horas cada um, em função do mau tempo, que já havia previsto da janela do meu apartamento.

Só aí recobrei à memória que aquele era um dia de jogos importantes da copa do mundo, dentre eles o próprio Brasil, que enfrentaria a seleção do México, num zero à zero de tirar o fôlego no estádio do Castelão, em Fortaleza. Foi também nesse momento que a torre de babel instalada no aeroporto passou a fazer mais sentido num duelo de cores de bandeiras das mais variadas nações dos quatro cantos do mundo.

Com muito custo desembarquei com quase três horas de atraso em Confins, onde a correria para Bélgica x Argélia também tomava conta dos turistas, rumo ao Mineirão. Eu, tentando manter a sanidade, repetia o lançamento de Branco no smartphone à exaustão para ter certeza de que conhecia suficientemente as novas canções do cantor mineiro.

De Bruno, apesar de um carinho prévio estabelecido em dois ou três encontros casuais em eventos da gravadora, conhecia muito pouco. Sabia que era de Minas, que trazia em suas canções um apelo poético poderoso e que era apenas o segundo CD de sua carreira, sendo o primeiro distribuído por uma gravadora do nosso porte. O que gerava, naturalmente nele, muitos questionamentos dos passos que deveríamos percorrer depois de lançado nas lojas. Questionamentos que também dependiam de mim para serem sanados naquela curta viagem para a terra do pão de queijo.

Ao chegar à Lagoinha, fui recebido por um Bruno Branco preocupado, que tentava disfarçar a tensão no rosto, enquanto fazia os últimos ajustes na passagem de som, onde reconhecia, sem esforço, as músicas que ouvi durante a viagem. “Bom demais que você veio Márcio. Uma pena que, por causa do jogo do Brasil, acho que vem pouquíssima gente. Talvez fosse melhor você nem ter vindo, porque não deve ter o público que um lançamento pede”, desabafou Bruno, justificando a preocupação explícita num sotaque familiar ao das canções. Ri e respondi que com ou sem público o lançamento seria uma bênção, tentando tranquilizar a ele e a mim ao mesmo tempo.

Surpreendentemente, na medida em que a hora do culto ia se aproximando as galerias da igreja iam tomando corpo de um público que crescia e ia arranjando seus lugares diante do púlpito, onde os instrumentos musicais devidamente afinados aguardavam a ministração.

Foi o momento que achei adequado para entrevistar um e outro irmão que compunha a plateia do evento. “Vim porque acho o trabalho do Bruno Branco, ao mesmo tempo, ousado e congregacional”, respondia o metalúrgico Mario Amorim, que congrega há 6 anos na igreja. “Não sei bem se o estilo do Bruno é meu preferido, mas as músicas dele sempre me fazem sair pensando na minha própria vida de uma forma ou de outra, e acho que é o que Deus espera de nós, não?”, me devolveu a pergunta a estudante Marcele Nunes, que foi à Lagoinha pela segunda vez naquele culto.

Uma oração inicial marcou a abertura da noite, onde o pastor, na sequência, convidou a banda para subir no púlpito e ministrar o louvor, já anunciando o novo trabalho de Bruno Branco pela Som Livre. A congregação inteira cantou e se emocionou com a poesia do cantor que já demonstrava estar mais tranquilo pela quantidade de pessoas que foram para louvar a Deus com ele, apesar da maior competição esportiva do povo brasileiro ter acabado à apenas umas poucas horas.

Depois do culto, que de fato foi uma bênção e possibilitou um número ainda maior de pessoas a conhecerem o ministério, pude finalmente ter um tempo de contato com o homem por trás das letras profundas e poéticas que compõem ‘Prato & Sino’. “Me preocupo com o povo de Deus que não se atenta para as necessidades do nosso país”, disparou o artista. “Somos nós, povo de Deus, quem realmente podemos fazer a diferença, não acha?”, completou me indagando.

Concordei e seguimos noite adentro conversando sobre fé, poesia, mercado fonográfico e nossas próprias vidas. Nesse momento, me deparei com um Bruno sensível e solidário, que começava a ficar mais a vontade com a minha presença. “Esquece hotel. Hoje você vai ficar na minha casa”, lançou o convite reafirmando a fama hospitaleira dos mineiros. Topei e pude conhecer ainda mais de perto a realidade de um pop star da música gospel do meu país, só que não.

Bruno mantém na simplicidade a sua forma mais legítima de levar a vida. Escolheu o município de Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, para viver com a sua avó e os dois cachorros que tomam conta da casa na ausência cada vez mais constante em função da agenda de ministrações que, mês à mês, tem crescido com a divulgação de seu novo disco.

Na manhã seguinte, enquanto me leva para conhecer a casa que está construindo à poucos metros dali para, finalmente sair do aluguel, o cantor me deixa entrar ainda mais na sua realidade familiar feliz, porém cheia de saudade. “Minha vó e minhas tias, que moram em BH são tudo o que tenho, perdi minha mãe no parto e meu pai há cerca de oito anos. Tenho visto Deus me sustentando em cada detalhe e não tenho como não agradecer todos dias à Ele, mesmo diante dessas circunstâncias”, contou com os olhos cheios d’água, fixos para os tijolos que já desenhavam uma casa promissora no centro do terreno. “Vou casar. Minha noiva é uma das poucas pessoas com quem me permito ser cuidado. É bom demais, quando Deus coloca pessoas assim no nosso caminho. Ela é quem está construindo o sonho dessa casa junto comigo”, revela, agora com um sorriso largo no rosto.

Pouco tempo depois, a responsável por esse sorriso chegou e o Bruno cordialmente nos levou para almoçar em um restaurante de comida caseira tipicamente mineira. “Nunca imaginei que a minha música fosse alcançar tanta gente quanto agora, que Deus abriu a porta da gravadora”, comemorou enquanto pedíamos a sobremesa.

Algumas horas após o almoço, entre risos e descobertas, embarquei de volta para casa, ouvindo novamente “Prato & Sino”, reconhecendo com ainda mais intimidade, o amor de Deus ao Bruno e certo de que agora, uma amizade genuína acabava de nascer. Da janela do avião, via-se com facilidade o Cristo Redentor entre a garoa fraca que caía na Guanabara. O tempo estava, finalmente, mais aberto no Rio.

Márcio Moreira – Som Livre

www.facebook.com/voceadora

Fonte: Gospel Music Café

Este post eu vi lá no: Supergospel - Música gospel.

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